sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Atualuxo 2008

Taste fez a cobertura oficial do evento e aqui compilamos algumas das entrevistas realizadas com os palestrantes da Conferência Internacional do Luxo.

cristoffe

Martin Riley, diretor de marketing internacional da Chivas Brothers

Taste: O senhor poderia começar falando sobre a estratégia da Chivas para a América Latina e para o Brasil?
Riley: A América Latina é uma região importante para ao mercado de uísque e principalmente para o uísque premium, de 12 anos, que é o caso da Chivas. O Brasil é um mercado importantíssimo nesse segmento, e vemos grandes oportunidades de desenvolvimento. O uísque é popular no Brasil e a economia do país está muito forte.

Taste: Como está o mercado brasileiro em comparação com os outros países BRIC?
Riley: No caso da Chivas, todos esses países são importantes e estçao crescendo muito. Somos a marca número um na China e crescemos muito rápido lá entre os jovens, que bebem uísque com chá verde - e o gosto é bom. Na Índia, as pessoas sempre beberam uísque. É muito caro para comprar e para importar no momento, mas acreditamos que o preço vai cair e isso vai ajudar no consumo. O uísque está crescendo na ìndia e a Chivas também, mas há poucos bares e discotecas na Índia, bem menos do que na China e no Brasil. No caso da Rússia, eles também estão crescendo. É claro que é um mercado forte para vodca, mas as pessoas estão ampliando seus gostos e estão começando a beber mais uísque, que está na moda. Em todos os mercados BRIC, vemos um desempenho forte da nossa marca e grandes oportunidades de crescimento para o futuro.

Taste: Muitos palestrantes falaram sobre a necessidade que as marcas têm de se adaptar. Essa é uma necessidade para a Chivas também, ou sua marca é tão tradicional que não precisa disso?
Riley: Um dos maiores sucessos do uísque é que ele se adapta à maneira que as pessoas bebem em cada país. Em alguns países as pessoas tomam uísque puro, ou com gelo, ou com água. Em outros, acrescentam Coca-Cola e até chá verde. Então o uísque é um produto muito adaptável. Em relação a uma marca como a Chivas, que tem uma tradição forte em todo o mundo e é vendida em tantos países, parte do sucesso se deve a nossa coerência, a nossa embalagem e ao nosso gosto, que se mantiveram os mesmos ao longo dos anos. Alguém que beba Chivas no Brasil pode ir para os Estados Unidos ou para a China e sabe exatamente o que vai encontrar. É uma mensagem da marca sobre o que a família e o estilo Chivas representam.

Taste: E qual é a importância de um evento como este?
Riley: É fundamental. Ouvi idéias muito interessantes e alinhadas com a forma com que nós, na Chivas, enxergamos o mundo. Encontrei muita gente do Brasil que traz aspectos diferentes sobre marca, varejo, e todo mundo tem um ponton de vista. Juntando tudo, temos um panorama muito mais rico do que está acontecendo no mundo. Isso nos ajuda a criar uma visão para o futuro.

Marco Bizarri, Stella McCartney

Taste: O senhor trabalha em uma marca relativamente nova, num mercado onde há marcas antigas e tradicionais. Quais são as vantagens e desvantagens dessa situação?
Bizarri: A vantagem é começar do zero, é definir a maneira como você vê o luxo, pensar nos valores da marca. Quando se fala de sustentabilidade, isso já está conosco desde o início. Você pode ajustar a marca ao que quiser. A desvantagem é que você não tem um monte de lojas e concorre com marcas de tamanho muito maior. Mas o interessante é que a percepção que as pessoas têm da nossa marca é de uma marca mais velha do que sete anos.

Taste: O senhor falou sobre sustentabilidade. Como isso é incorporado à sua marca?
Bizarri: Em primeiro lugar, nunca divulgamos isso. Essa idéia é uma parte fundamental das crenças de Stella. É difícil ser sustentável nesta indústria, é muito caro. Em primeiro lugar, somos voltados para a moda, nossos produtos precisam ser muito bonitos. Depois é preciso ficar perfeito no corpo da mulher, e depois é preciso ser verde e sustentável. Se você vai à loja, você não compra uma roupa orgânica só porque é orgânica. Você compra porque gosta. E a indústria da moda é diferente de outras: o clinete não está disposto a pagar um preço premium por um produto orgânico. Então abordamos esse tema dessa forma. Não usamos peles, não usamos couro. Sabemos que o fator mais pesado em termos de emissão de carbono é a criação de gado - mais até do que carros. Mas pensei nisso na indústria da moda: como fazer uma bolsa sem usar couro? E por causa disso tivemos idéias novas sobre luxo, sobre sapatos, novas formas de fazer isso. Mas o custo é muito mais alto, e isso afeta todos os lados do negócio.

Taste: O palestrante Guy Salter falou sobre o problema das pequenas marcas que um dis se descobrem grandes. O senhor acredita que este é o caso da grife Stella McCartney?
Bizarri: Sem dúvida. Estamos nessa fase. Temos que entender o que queremos e para onde vamos. É tipo dessa fase de crescimento, aos dez anos: o que vou fazer quando crescer? Vou ser estilista, dentista...?

Taste: e o que Stella McCartney quer ser?
Bizarri: Não queremos ser dentistas, disso não há dúvida.

Taste: Qual é a importância deste evento?
Bizarri: É sempre importante ver a abordagens diferentes. Fiquei impressionado. É sempre bom ter novas idéias ao voltar para casa?

Taste: O Brasil é um mercado interessante para a Stella McCartney?
Bizarri: É claro. Nossas roupas são perfeitas para a mulher brasileira. Por outro lado, todas as pesquisas dizem que este vai ser o maior mercado emergente - maior do que a China. A China está crescendo muito rápido, mas o Brasil vem logo atrás.

Gabriela Guerschanik, Comitê de Luxo - Chile

Taste: Conte um pouco sobre o trabalho do Comitê de Luxo no Chile.
Gabriela: Somos uma associação sem fins lucrativos que existe há três anos. Criamos um cenário mais própício para o mercado de luxo. Temos uma presença muito forte de marcas internacionais no Chile. O comitê reúne 25 marcas, das quais 23 são internacionais. O mercado está se desenvolvendo voltado para alguns nichos como o mercado de vinhos, de joalherias e de turismo. Queremos trabalhar para que essas marcas tenham um desenvolvimento melhor. Considerando as condições sociais do mercado chileno, é muito importante trabalhar na educação, e buscar informar os consumidores em potencial sobre o que existe no mercado de luxo e, sobretudo, profissionalizar esse mercado em todas as suas áreas. O Chile é um mercado muito pequeno, mas tem um potencial grande. Não pode ser comparado nem ao México nem ao Brasil, e nem com a Argentina. Mas tem pontos fortes.´Há uma estabilidade que permite fazer planejamento para o futuro sem se preocupar com as conjunturas. Temos muitas facilidades para as empresas estrangeiras, elas não têm dificuldade para entrar no Chile e o fazem com grande entusiasmo. E temos um consumidor particular. Há muito o que fazer no sentido de convencer as pessoas com poder de compra para produtos de luxo para que compre. Há pessoas com muito dinheiro no Chile, mas cremos que o potencial é muito maior do que o atual. Trabalhamos para incorporar cada vez mais consumidores a esse mercado.

Taste: E sua revista, a Bora?
Gabriela: A Bora é um dos nossos produtos editoriais. É o produto mais importante que temos e existe há cinco anos. Ela nasceu dedicada a consumidores de marca de luxo. Circula apenas no Chile, mas gostaríamos de levá-la a outros países. A revista é orientada a homens, mas é claro que as mulheres também podem gostar - como é meu caso! E queremos entregar ao leitor masculino de alto poder aquisitivo um material que fale do que acontece com o luxo do mundo. É uma revista bimestral, e nosso conteúdo é 80% internacional. Tentamos estar sempre na vanguarda da informação. Apresentamos produtos novos que estão chegando ao Chile, entregamos coisas novas. Há pouco tempo criamos um círculo de membros que entrega serviços e apresentações exclusivas a um grupo VIP. Fazemos confrarias e estamos satisfeitos com o mercado e o reconhecimento. Dividimos isso numa relação bastante intensa com nossos leitores. Acabamos de relançar nossa página na internet, e estamos indo bem.

Taste: E qual é a importância de um evento como este?
Gabriela: Fundamental. Tenho a sorte de conhecer Carlos há muitos anos, e dividimos informações sobre o mercado de luxo. Isso é absolutamente necessário, que os integrantes da indústriam se reúnam para trocar idéias. Todos os outros setores fazem isso, temos de fazer também no mercado de luxo. É um espaço de contatos fora da conferência, e de informções dentro da conferência. Aprendemos a cada minuto. As apresentações foram muito interessantes, com coisas que abrem nossas idéias e dividem boas práticas. Seria bom se houvesse mais de um por ano, mas dada a qualidade dos palestrantes e a magnitude um por ano já será ótimo.

Richard Hartzell, presidente da Mastercard para a América Latina

Taste: O senhor poderia dar uma visão geral do mercado de cartões de crédito premium na América Latina e no Brasil?
Hartzell: O mercado latino-americano vem crescendo num ritmo duas vezes maior do que experienciamos no resto do mundo. Então esperamos que esse mercado aqui cresca 50% mais rápido do que no resto do mundo. É um mercado animador e dinâmico, e investimos muitos esforços aqui. E muitas das inovações que apresentamos no mundo estão sendo desenvolvidas aqui.

Taste: o senhor poderia dar alguns exemplos?
Hartzell: O que fizemos com o produto MasterCard Black é um exemplo, nossos lounges, programas de parceria como o do Fasano... Esse é o tipo de experiências que criamos neste segmento, que nos permitem a observar como transportar essas experiências para outras partes do mundo.

Taste: E quais são as características específicas do consumidor latino-americano e brasileiro? Como ele usa o cartão, com qual frequencia, para comprar o que?
Hartzell: Neste segmento, o cliente costuma gastar sete vezes mais do que a média dos outros consumidores. Então é um cliente muito ativo, que procura serviços e quer ser servido. Por isso fazemos eventos especiais, mershandising, oferecemos serviços diferenciados, nos concentramos nas viagens. Agora, percebemos que os brasileiros estão viajando muito desde a estabilização do Real, estão buscando experiências e essa alegria de viver que vocês têm aqui os brasileiros estão buscando fora do país.

Taste: Muitos palestrantes falaram sobre os países BRIC. Como a Mastercard enxerga esses grandes mercados?
Hartzell: O Brasil vai se sair bem. Muitas coisas são positivas aqui, o cenário macroeconômico está bom, a abertura do mercado ajudou no crescimento dos investimentos, os brasileiros estão ficando mais ricos, estão buscando maneiras diferentes de pagar por suas despesas... Então vemos uma demanda crescente por produtos eletrônicos. E, do lado da oferta, nossos clientes, os bancos e instituições, estão tentando descobrir como desenvolver um relacionamento de varejo com esses consumidores. Então é uma convergência perfeita de economia forte, demanda crescente por bens e serviços, por produtos MasterCard. Tivemos resultados excelentes na Amperica Latina e isso não teria acontecido sem o Brasil.

Taste: Qual é a importância de eventos como este?
Hartzell: É impressionante. É claro que este é apenas o primeiro, gostei de ver pessoas de diferentes setores dividindo experiências. Isso é impoprtante porque nossa indústria não é estática. Os consumidores mudam, os gostos mudam, e parte dessa divisão de experiências vai nos aproximar dos consumidores desse segmento.

Yaffa Assouoline, Assouline Media

Taste: O nome do seu site é luxuryculture.com (luxo e cultura). Qual é a relação entre esses dois conceitos?
Yaffa: Sem cultura, o luxo não significa nada. É preciso ter cultura para compreender o luxo. Por isso reuni essas duas palavras.

Taste: A senhora também edita livros bonitos, que exigem a proximidade do toque, de folhear as edições. Como adaptar esse prazer para o mundo da internet?
Yaffa: Minha primeira reação à internet foi achar tudo muito feio. Devido à minha história e a meu trabalho com livros, tentei encontrar esse mesmo prazer na internet. A internet é apenas uma ferramenta, mas é uma ferramenta fantástica – a ferramenta do século 21. O que fiz foi apenas trazer o prazer para esta ferramenta. Nada além de reunir todas as informações reunidas, de forma que o usuário possa navegar como se estivesse folheando um livro. Esta é a mágica da internet.

Taste: Seu trabalho com livros é uma tentativa de transformar o livro num objeto de arte, de luxo?
Yaffa: Livros são incrivelmente importantes na nossa vida. No começo, fazia-se livros muito feios, que eram para ser usados e depois jogados fora. Mas este não é o objetivo de um livro. Decidimos trazer algo mais importante aos livros. Em primeiro lugar, o conteúdo, é claro. Depois, um livro bonito, que pudesse se transformar em um objeto. O livro então reúne a emoção do conteúdo e da aparência exterior.

Taste: Na sua palestra a senhora citou o slogan "O peso das palavras, o choque das fotografias". De que forma as marcas podem usar esse slogan?
Yaffa: O peso das palavras, o choque das palavras é uma idéia universal. Não é exclusiva da França ou do Brasil. É uma linguagem, e é a linguagem deste momento: as palavras corretas e uma fotografia forte. Nem sempre é preciso ter muitas palavras. O HSBC fez uma campanha publicitária fantástica: uma palavra que tinha diferentes significados em todo o mundo.

Taste: O site luxuryculture exibe um trabalho do artista Damien Hirst, chamado For The Love of God. Trata-se de uma crítica ao mundo do luxo?
Yaffa: Damien Hirst traz algo que está fora da arte para dentro da arte. É uma piada. E acho que esse artista é muito inteligente. Ele trouxe o marketing para a arte, e é isso o que muita gente critica. Mas a mensagem que ele passa é muito forte: "se você quer comprar essas coisas todas, o problema é seu". Acho que a mensagem dele está muito clara.

Taste: Qual é a importância deste evento?
Yaffa: É minha primeira viagem ao Brasil. As pessoas são muito abertas, informais – e isso é um elogio, elas são fáceis de lidar. Eu vim para cá porque a idéia do evento me interessava. Gosto da idéia de descobrir a América Latina. As pessoas são muito interessantes, e aprendi alguma coisa com cada uma delas.

Diego Stecchi, Salvatore Ferragamo

Taste: Claudia D´Arpizio, da Bain & Co., diz que as marcas precisam se adaptar aos diferentes mercados e diferentes consumidores. Como fazer isso no caso de uma marca tão tradicional quanto a Salvatore Ferragamo?
Stecchi: Mais do que adaptação, o que fizemos foi pegar nossa história, nossos produtos da melhor forma possível. Adaptamos a marca para chegar a novos mercados, mas não mudamos nada nos nossos produtos, e acho que essa estratégia foi bem-sucedida.

Taste: Quais são as particularidades do consumidor latino-americano e, mais especificamente, do consumidor brasileiro?
Stecchi: Vejo que os homens são grandes consumidores e os jovens também. São duas grandes diferenças do Brasil para outros mercados.

Taste: Na sua palestra o senhor falou sobre a importância da Daslu. Qual a possibilidade de replicar esse modelo em outras cidades do Brasil ou da América Latina?
Stecchi: A parceria com a Daslu foi muito enriquecedora e bem-sucedida. Não sei se está pronta para ser replicada, mas espero que sim. Não apenas reproduzir o modelo Daslu em outras cidades, mas também a essência dos serviços, da escolha das marcas, seria ótimo. Seria muito bom ter a Daslu em outras grandes cidades, mas nos perguntamos se isso será possível. É um grande desafio.

Taste: Quais são os planos da Salvatore Ferragamo para o Brail no futuro?
Stecchi: Queremos aumentar nosso mercado, crescer na Colômbia, nos expandir na América Central. E queremos também reforçar nossa posição nas lojas brasileiras.

Taste: Para o senhor, qual é a importãncia de um evento como este?
Stecchi: Todas as apresentações mostraram que há uma grande conexão entre o mundo das marcas. É importante aproximar a indpustria de luxo do cliente, e o próximo passo que acredito ser importante é aumentar o profissionalismo, trazer novas idéias e novas pessoas para as marcas. É preciso entender os novos consumidores.

TASTE

Taste é um portal de relacionamento, conteúdo e serviços on-line, que por meio de uma atmosfera exclusiva e de bom gosto, explora os vários prazeres da vida, tais como, moda, gastronomia, viagens, design e cultura. São temas também as grifes de luxo, que no Taste são tratadas como obras de arte, seja pelo seu caráter histórico, design ou alta qualidade.

O público do Taste é composto por homens e mulheres, com idade entre 25 e 55 anos, de classe A/A+. Definição que inclui empresários, executivos e profissionais liberais de alto nível, que apreciam as boas coisas da vida e desejam conhecer melhor sobre tudo o que isso representa.

Com uma trajetória de quase dez anos, o Taste consolidou-se como referência de bom gosto e qualidade na internet brasileira, que afere um conceito próprio aos produtos e serviços disponibilizados, aproveitando ao máximo as novas tecnologias para criar um canal interativo entre marcas premium e seus internautas.

Atualmente o Taste é considerado tanto pelo mercado publicitário, como pelas principais marcas de luxo, o mais importante portal do País no segmento de alto poder aquisitivo. Estão entre nossos anunciantes: Christian Dior, Rémy Martin Cognacs, Mercedes-Benz, Moët & Chandon , Land Rover, Clinique, Graf von Faber-Castell,  Volvo Automóveis, Mitsubishi Motors, Pioneer, Green Label, Cointreau, Diners, entre outros.

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